terça-feira, 27 de junho de 2017

Facebook ou coldre digital

Quem leu os livros de bolso de histórias de faroeste norte-americano, durante as décadas finais do século passado, tem muito viva em sua lembrança o enredo de lutas, tiroteios e bangue-bangue em torno dos quais se teciam as histórias.
Presente deve estar também a palavra coldre. Um aparador do revólver, feito de couro, preso ao cinto de mocinhos e foras da lei, na maior parte das situações.
O fato é que o coldre estava sempre ao alcance das mãos, uma vez que boa parte dos conflitos, segundo as narrativas do faroeste, eram "resolvidos" sacando-se, com a maior agilidade possível, o revólver e disparando o mesmo contra o inimigo.
O coldre não era a arma de fogo com a qual abatia-se o oponente mas, era apenas o suporte no qual se portava a lei do faroeste.
Guardadas as proporções, na atualidade o coldre parece ter se convertido naquilo que se convencionou chamar internet. A internet não é o armamento, mas o suporte dos armamentos, em especial as redes sociais com destaque para o facebook que tem se convertido na terra em que não ter lei não é mera virtualidade.

Deus, o homem e o sofrimento

O Mal e o Sofrimento - Leandro Gomes de Barros (1865 - 1918)


Se eu conversasse com Deus

Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?

Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?

Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.

Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?

Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.

Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?