terça-feira, 30 de novembro de 2010

Começou a Copa do Mundo de 2014

Enfim, o Estado chegou ao morro. A bandeira brasileira "fincada" no alto do morro parece-me a mais nítida imagem da histórica ausência das políticas estatais para as populações faveladas.

A ação policial nos morros cariocas, na semana passada, demonstra que o poder das exigências da FIFA não se limita à (re)estruturação dos estádios de futebol. O padrão FIFA extingue dos estádios a famosa "geral", massivamente frequentada pelo "povão" comprimido e acotovelado.

Curiosamente, para garantir que o povão não queira ocupar as arquibancadas reservadas a um público mais apresentável às imagens televisivas urge, enfim, ocupar o morro com cartão de visita e tudo o mais: "há duas opções: render-se ou ir para o cemitério". É curioso também que o primeiro "serviço social" e que a primeira "ação estrutral" que, durante muito tempo, o Estado tenha ofertado ao jovem favelado/traficante(?) tenha sido o serviço funerário.

E o Estado lá permanecerá, enquartelado nas UPPs. E as demais ações políticas, culturais, estruturais/emprego etc? Não é de se duvidar que estas serão encabeçadas pelo ONGuismo. Já imagino uma série de ONGs faturando com a organização de passeios dos gringos aos morros cariocas durante a Copa do Mundo e durante a realização dos Jogos Olímpicos e Para-Olímpicos. Da forma como estava não dava para o capital (divisas do turismo da miséria) aportar no morro.

Como prêmio ao esforço, pragmático-utilitarista, do Estado bem que a FIFA já poderia declarar o Brasil hexa campeão mundial de futebol.