quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Votem em meu pai!

Assistindo, com muito custo, às propagandas eleitorais tomei mais conhecimento de detalhes e fatos da vida privada dos principais candidatos do que propriamente de seus projetos de governo.
Fiquei cá pensando a que se deve este tipo de propaganda que valoriza acentuadamente as "dificuldades" sócio-econômicas do candidato antes deste se tornar um político de carreira?
Hum! Talvez tenhamos que normatizar a campanha eleitoral. Que tal invocar a ABNT? Esta poderia estabelecer uma normativa para os panfletos impressos de campanha prevendo o que deve/pode ser comunicado (programas de: educação; saúde, saneamento básico, segurança, desenvolvimento econômico etc) e como deve ser comunicado. Seríamos poupados de um amontado de santinhos que insistem em sacralizar a caixa de correspondência de nossas casas com um rol de promessas partidárias.
E toda a campanha midiática deveria ser, tão somente, uma exposiação, explicação e conferência sobre as propostas de governo registradas em órgão competente e normatizadas pela ABNT.
Falar das "dificuldades" pessoais, da infância pobre e humilde, do pam-pam-pam, da caixinha de fósforos e do escambal de bico soa um engodo político. Caso assim continue peço aos eleitores que, nas próximas eleições, votem em meu pai. Ele teve uma infância sofrida, tornou-se adulto, casou-se, teve seis filhos e sustentou-os (e ainda sustenta) trabalhando e repondo suas energias comendo muito salitre enquanto construia hidrelétricas para o país e, posteriormente, alimentando-se com bóia - mais que fria - enquanto produzia alimentos frescos para os grandes mercados.
O "sofrimento" pregresso dos candidatos não é critério objetivo e não confere confiabilidade quanto a um governo/mandato compromissado com a justiça social, com os pobres e miseráveis e com um projeto societário alternativo ao vigente.
E o Lula? Não era pobre e não fez um governo de resgate das políticas sociais? Deveras. No entanto, cadê a reforma agrária? E a reforma tributária? É claro que não se deve avaliar o atual governo apenas com base nestes dois importantes itens. Mas, se a probreza é uma condição radical de existência ou sub-existência humana quem por ela passou e hoje galga um cargo político - ou nele está - deve desenvolver igualmente ações radiciais para sanar a miséria. Ações estas que vão além do: "fui pobre um dia" (Lula e Serra) ou "hoje o pobre está comendo melhor" (FHC).

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Escola se prepara para virar motel

Bons tempos aqueles em que recebíamos, nas escolas, um copinho com fluor - após a escovação de dentes - para higienização bucal. Havia ainda até atendimento odontológico gratuito. Tenho lido na atualidade algumas matérias de jornal, ligadas à educação, que apresentam a polêmica em torno da instalação de máquinas de distribuição de camisinhas nas escolas públicas de Ensino Médio. Puxa! Como as coisas tem mudado. O governo, no entanto, não perde a 'mania' de se preocupar com a saúde dos futuros eleitores.
A iniciativa é do Programa Nacional de DST e AIDS e está estribada em dados segundo os quais jovens entre 13 (jovens?) e 19 anos possuem vida sexual ativa. "Beleza". Então, constatada a atividade sexual urge assegurar as condições preventivas para a sua saudável realização. Na escola? Opa! Então é necessário equipá-la com banheira, sauna, colchão d'água e garantir as 4 horas aula de labor/amor. Será que os Postos de Saúde passarão a ensinar noções de matemática, química, física? Educação sexual e funcionamento do metabolismo do corpo humano?
Fico pensando que poderíamos, seguindo o exemplo das máquinas de camisinhas a serem instaladas nos banheiros das escolas, instalar umas máquinas de viagra nas filas das lotéricas e das agências bancárias para atender aos bons velhinhos, constatado que estes tem tido uma vida sexual mais ativa. Poderíamos ainda instalar umas máquinas de seringas descartáveis com uma amostra grátis de pó nas praças e viadutos, uma vez constatado que estes locais são frequentados por drogados. 'Constatado' que nos morros as crianças ingressam "precocemente" no crime poderíamos, então, instalar lá umas máquinas de armas de descarga elétrica, para que os pequenos fossem treinando "tiro ao 'Álvaro', à Maria, ao João ... (sic)".
Voltando à escola: estou tentando imaginar algumas cenas com as tais máquinas de camisinhas. Os adolescentes poderão em lugar de trocar figurinhas, trocar camisinhas. Naquela festinha de aniversário, na sala de aula, não serão mais necessárias "bexigas", basta encher de ar umas duas dúzias de camisinhas e pronto: a decoração estará feita - é claro, sem aquele colorido todo dos balões. E as guerrinhas com "bexiga", ou melhor, camisinhas d'água no intervalo das aulas? Bom, pois as zeladoras terão menos trabalho, visto que não precisarão mais molhar o chão.
Hum! Quanto exagero, deve estar pensando o leitor agora. Mas, fico imaginando o que o Macaco Simão escreveria a respeito das máquinas de camisinhas. "Buemba!", "Buemba!"