sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Erlebnis

A teoria do amor contrariou a lógica de meu coração
irá ainda a mente livrar-se das sevícias da razão?
O álcool feriu minhas idéias e embotou-me de coragem opípara.
O sono, de tanto, extirpou o cansaço de meus olhos que a procuravam sem ordem, estrabicamente embriagados pela tecitura da imagem de suas palavras.

A teoria do amor contrariou a composição do poema,
toda inexpressibilidade, agora, está contida no silêncio da voz que
proclama a rima que nunca se enamorou do impossível;
impossível é beijar-te senão por versos.

A teoria do amor viveu de A a Z, de alfa a oméga, de Homero a Nietzsche
disse-me tudo sobre o enigma edipiano e nada sobre você: esfinge do amor
tivera eu percebido que sonho não se vive
conquanto se o decifra ou se é por ele devorado

A teoria do amor secou minha boca ao falar-te
da simplicidade dos sofrimentos de quem ama e
molhou-me os olhos em lágrimas retidas na fonte obsessiva de seu corpo.

A teoria do amor nada me disse a respeito de suas próprias sendas
senão que a vida sem Eros é uma prática destituída de você,
norte de mim.

A teoria do amor jamais cogitou a prática de amar,
por isso é tão somente um sonho,
sendo tão só quem por ela se orienta.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Educar para quê? Para aprender a tomar sorvete sem “borrar” a boca

Conversando com minha filha, que acabou de completar 8 anos, enquanto tomávamos do tempo alguns minutos para saborear um sorvete, ela me falou de um personagem de um filme que lhe chamara a atenção. O filme seria exibido em um canal de televisão aberta. Este personagem desempenhava um papel de uma babá ou coisa semelhante. Ao perguntar a ela o que fazia uma babá prontamente me disse, reportando-se ao filme, que “educava as crianças ensinando-lhes a falar por favor, com licença”.
A fala de minha filha me arremeteu, na ocasião, a uma questão já refletida por alguns curiosos da educação: por que a criança necessita ser educada pelo adulto? Testei a menina com esta pergunta. Parecia-me que ela havia se esquecido de tomar o sorvete, envolta pela conversa despretensiosa e pela necessidade de me convencer a deixá-la assistir o filme que seria exibido em horas avançadas da noite. O gosto do sorvete parecia não ser páreo para a curiosidade diante do filme. Aliás, quanto mais vejo as crianças em ação – e elas sempre o estão – mais percebo que o doce da coisa é mesmo a conversa, a confraternização, a reunião com os(as) amigos(as). O sorvete, a pipoca e outras guloseimas são apenas pretexto, pano de fundo para coisas mais lúdicas, a conversa parece ser uma delas. Nas rodas de “tititis” infantil a criança trilha um mundo com o qual já não estamos mais tão habituados – o mundo da imaginação, descolado do porque aqui é assim.
Retornando ao sorvete, que insistia em não derreter apesar da boca ocupada com as palavras, não me recordo se minha filha deu-me uma resposta à questão ou, se o fez, qual resposta me forneceu. Nós adultos somos assim, perguntamos por perguntar, pois já temos a resposta: e além do mais, o que uma criança pode nos ensinar? Ora, com a resposta eu pouco me importava mesmo, visto que já estava, a priori, pronto para especular, entre uma mordida e outra, os pensamentos daquele serzinho que zigue-zagueava a minha frente. Então, emendei esta que me saiu com a investidura de um mestre. “Se as pessoas não sentem a necessidade de pedir por favor ou não há uma convenção social em torno de tal hábito, então elas não precisam ser instruídas”, disse-lhe.
“- É”, respondeu-me ela com ar de ter entendido o falatório todo. E quase que ao mesmo tempo, olhando para além do sorvete, completou: “Se as pessoas não são educadas, então elas não vão aprender a pedir.”
Neste caso, disse eu, as pessoas vão tomar, vão conquistar, vão, quem sabe, guerrear. Assim, posso julgar que educamos para afirmar as convenções sociais e reproduzir os hábitos e costumes necessários ao amalgamento de uma sociedade, nada novo se considerarmos o pensamento de Émile Durkheim.
Percebi que minha filha ao ouvir aquele patacá todo, voltou-se ao sorvete destacando-lhe o sabor e as cores. Fiz o mesmo tomando cuidado para não deixar que nada “sujasse” a minha roupa e, periodicamente, levava a ponta dos dedos aos cantos da boca com o propósito de não me lambuzar e na esperança de que ela acompanhasse os meus gestos. Eis aí o peso das convenções e dos modos: bons? Para quem?
- E o filme pai? Você vai assisti-lo?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Exposição Suruí

Na semana da Independência Exposição Toeytig-e (Contato) lembrou os 40 anos de contato dos povos Suruí com o não-indío.
O evento teve sede nas Faculdades Integradas de Cacoal-RO.