segunda-feira, 22 de junho de 2009

Trabalhadores da Educação, Mídia e Condições de trabalho


As reivindicações dos trabalhadores da educação por melhores condições de ensino e trabalho são, certamente, justas, urgentes e necessárias em uma sociedade que se organiza em torno da dinâmica da exploração do trabalho, do acúmulo e da concentração de capital. Os propósitos destes educadores são reforçados sobremaneira quando procedemos a uma leitura atenta das políticas educacionais que consolidam uma educação formal cuja função social é conformadora e adaptadora do indivíduo à sociedade de classes. Política de progressão continuada, formação para o mercado de trabalho e massificação do acesso à educação são alguns dos exemplos dos condicionantes estruturais aos quais se encontra subjugada a ação docente em âmbito escolar.

Cabe ressaltar, entretanto, que as greves encabeçadas pelos trabalhadores têm uma certa identidade camaleônica. Os intentos que motivam a organização e a mobilização dos educadores, ao tornarem-se públicos, ganham aparência de Frankenstein. Na maioria dos casos a cobertura midiática das mobilizações docentes que redundam em paralisações ou greves são acompanhadas de textos que dão ênfase somente aos desejos dos trabalhadores da educação por reajustes salariais. E, como não poderia deixar de ser, devido à propensão ideológica dos editoriais da grande imprensa, a parte ouvida neste processo geralmente é aquela que a mídia acredita ser a maior lesada com a rebeldia e a insensibilidade do monstro que escreve na parede, os alunos. Os reais propósitos motivadores da organização dos trabalhadores da educação são velados, desta forma, pela cobertura realizada pela imprensa liberal.

O que o desenho dos contornos das reivindicações dos trabalhadores da educação, pintado pelos canais de imprensa, não revela é o fato de que atrelada à busca por melhores salários há uma motivação pouco informada e tão nobre quanto à primeira. Esta motivação é um dos elementos basilares da vida docente, a saber: o aluno e suas condições de aprendizagem.

Esta situação parece não ser de muito difícil percepção uma vez que a mídia concebe que, apesar do discurso apontar em linha contrária, professor e aluno são elementos dicotomizados. O professor ensina e o aluno aprende o ensinado pelo mestre. Nesta ótica caolha a aula é produto acabado pelo qual o professor ministra, a priori, informações e conhecimentos a um aluno posicionado cognitivamente em condição de dependência.

O ato de educar delineia o trabalho do professor como trabalho intelectual que se estriba não somente nas leituras prévias do professor, mas também naquelas idéias gestadas em sala de aula, no momento em que professor e aluno se debatem em torno das leituras orientadas pelas condições existências de cada um destes agentes. O trabalho docente é, por isso mesmo, trabalho imaterial responsável pela formação da consciência social de seu aluno.

Este trabalho tem seus propósitos reforçados e melhor garantidos quando o ambiente escolar, dentro do qual o professor gesta e produz sua atividade, fornece substratos físico-materiais, para além de carteiras, cadeiras, lousa e giz, que corroboram com a ação educadora.

Uma escola aparelhada com biblioteca, laboratórios, refeitório e salas de aula climatizadas e equipadas contribui significativamente com os propósitos do trabalho docente. Há um outro elemento ainda extremamente significativo e do qual não podemos nos turvar. As vivências afetivas são igualmente importantes no processo de formação escolar do aluno. Quem não possui lembranças das brincadeiras e das amizades formadas e afirmadas nos intervalos (recreios) das aulas, no pátio da escola?

Ao planejar e realizar, desta forma, a organização de suas reivindicações por melhores condições de trabalho os professores estão visando melhores ganhos materiais, mas também estão focados naqueles para quem e com quem exercem o seu trabalho, os alunos. Ao brigarem por melhores salários os professores estão, intrinsecamente, considerando a existência do aluno como base sustentadora de suas mobilizações. Professor com salário decente investe em sua formação, para além dos enfadonhos cursos de reciclagem docente ofertados pelos órgãos públicos. Professor com salário decente adquire e forma biblioteca particular, lê e se informa e se forma para o seu aluno. Professor com salário decente viaja, vê desconhecidos lugares e novas culturas e os contrasta com a realidade de seu aluno. Professor com salário decente se infomartiza e colhe na internet subsídios para suas aulas. O direito dos trabalhadores da educação à greve é um dos componentes do direito à educação de meninos e meninas, jovens, adolescentes e adultos.