quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Neoliberalismo, Cavalo de Tróia e "Democracia" grega

Créditos da Charge: Maringoni. Fonte: http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19654
Na superfície do fato. Com a aprovação de mais um repasse financeiro do FMI e da União Européia à Grécia, no valor de 130 bilhões de euros, e somando-se a esta medida a ingerência administrativa dos referidos credores poder-se-ia afirmar, a despeito da democracia ateniense clássica nos tempos de Sólon e de Platão, que na Grécia contemporânea todo estrangeiro - neoliberal - é um cidadão grego, somente não o é o próprio grego. Ironia da História?
A União Europeia "presenteia" o berço da democracia com uma nova versão do Cavalo de Tróia. Mas, quem é o inimigo a ser confrontado e dominado? Desta vez, o povo/trabalho é o objeto a ser achicalhado pelo capital. E o que ocorreu com o poder que emana do povo e para o povo? Degenerou-se em uma tirania, afirmaria Platão, pela qual se suprimiu a liberdade reprimindo, assim, toda e qualquer ameaça ao poder/capital especulativo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Inverno

Nada naquele dia era propício para um passeio, mas como de costume insisti em fazê-lo uma vez mais. O ar úmido e frio ardia em minha face vermelha. A manhã não acordava com o canto dos pássaros; com a luva limpo os óculos, então noto que o caminho adiante se bifurca não sendo nada agradável por ele seguir. Estrada acima, escorregadia, ou caminho abaixo, liso como se fora uma pista de gelo.
O orvalho lubrificou as pedras, esforcei o pé na estrada, o frio aumentava, mas decidi continar.
As árvores à beira do caminho são como monstros de neve branca, apenas combatidos pelo sol, que timidamente os consome. De súbito um movimento na neve ao pé de uma das árvores, imagino ser, devido sua intensidade, um animal de pequeno porte flagelado.
Crio coragem, aproximo-me do local, curioso, abro espaço na neve com alvoroço, apalpo algo duro e áspero, descubro-o, era sim um animal, mas racional. Seu queixo tremia, olhos negros retorcidos, pobre homem, físico avantajado, porém socialmente rejeitado.
Decido voltar, coloco o pobre homem nas costas, sinto meu frio crescer, aquele corpo, agora um bloco de gelo, me fez refletir, também faço parte desta sociedade.
O gemido do muribundo soa em meu ouvido como o choro de uma criança abandonada, maltrapilha, com frio, sem cobertor e sem calor humano, como fora eu próprio. (P.P. 28-06-1994)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Convivência

Encostado ao poste, observava a avenida.
Carros se entrelaçavam em um vai e vem frenético, motos barulhentas circulavam cortando o ar.
O guarda de trânsito soava o apito, os carros paravam dava-se passagem aos pedestres.
As casas de comércio não tinham a não ser curiosos em busca de ofertas.
O menino vendia um sorvete de caju, aparentemente gostoso.
Mas ninguém se toca, ninguém se vê, uma dor sobe, angustia, machuca-me.
(P.P. - 1994)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A fazenda

A fazenda fora próspera e bela, hoje o abandono tornou-a irreconhecível.
O silêncio tomou-a por completo, não se ouve o mugido do gado, o canto das aves domésticas e nem o latido do cão caçador. Multiplicou-se a vida vegetal daninha que se apoderou do jardim e invadiu o estábulo, tomou conta do aviário, fluiu casa adentro, rompendo portas e janelas, assoalho e teto.
A manhã já não se levanta como antes, saudando a vida da fazenda, as plantações no campo, as águas do córrego; do outro lado o sol se põe sem motivação para voltar ao nascente e a noite cai como um "blecaute", um abismo, um cenário fantasmagórico de gigantescas e amentradoras árvores, balançadas no sono noturno, pela brisa leve que provoca a emanação de um forte cheiro de mato. (P.P. - 1994)

Convite

"Foi no fim do verão que Ele e três outros homens passaram pela primeira vez por aquela estrada ali. Era à tarde, e Ele parou e ficou de pé lá no fim do pasto.
Eu estava tocando a minha flauta; o meu rebanho pastava à minha volta." Percebi que usava um roupão semelhante a uma túnica e que acenava para mim com uma das mãos.
- Corra, garoto, falou um de seus amigos.
- Estou indo! Abri caminho por entre o rebanho.
- Os senhores desejam algo? Meu pai está do outro lado com meus irmãos.
Não recebi de imediato resposta de nenhum dos homens, que aparentavam ter andado muito, o suor corria pela face queimada de cada um deles. Voltei a indagar aquele que me acenara, parecia o chefe dos demais, pois era sereno no olhar e gestos.
- Posso servir-lhes em alguma coisa? Um copo d'água, um prato de comida, ou desejam falar com meu pai?
- Eu quero a ti menino, dê-me sua vida, quem ama a sua vida vai perdê-la, mas quem a perde por causa do meu rebanho, vai ganhá-la.
- Mas, eu já dispenso minha vida todos os dias cuidando do rebanho de minha família! Vejo que seu rebanho é grande, pois levas três homens para pastorá-lo e ainda procuras mais pessoas para o serviço. Porém, se queres que eu vá, sinto muito, tenho que ajudar meu pai. Três homens já não lhe é o suficiente?
- São muitos, meu caro, os convidados mas poucos os escolhidos.
Neste instante um dos homens, muito barbudo, falou-me com repreensão.
- O rebanho de nosso mestre não é deste reino.
- Mas não posso trabalhar para o senhor, tenho que fazer o trabalho para meus pais e irmãos enquanto cuidam da lavoura.
- Deixe que os mortos enterrem os mortos, dedique sua vida a quem anseia viver.
Ao falar isso continuaram a andar pelo caminho. Fiquei parado, perplexo, queria entender tudo aquilo. Ele falava com autoridade e apesar de minha negativa não vi sentimentos de frustação em seu semblante.Olhei para trás para o rebanho que pastava tranquilamente sem nenhum dirigente, voltei o olhar para frente onde os homens continuavam a ganhar o horizonte. Não resisti a uma pulsação forte do coração, me coloquei a seguir lhes os passos.
- Ei, ei! Esperem por mim!  Cadê suas ovelhas? Senhor, onde está seu cajado?
(Presidente Prudente-SP. 10 de novembro 1994.)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Música independente

O site Musicoteca - www.amusicoteca.com.br - congrega algumas composições musicais de artistas brasileiros independentes. As músicas podem ser ouvidas desde o site ou ainda podem ser copiadas gratuitamente. Para conferir matéria na integra basta acessar: http://radioagencianp.com.br/10491-musica-independente-brasileira-disponivel-gratuitamente-na-musicoteca.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Em 2012 veremos (novamente) o fim do mundo

O fim do mundo não está próximo. Ele já está em curso. Mas, ainda há o que ser feito para que isto não ocorra. A medida não é complicada. Para a sua operacionalização não será preciso desviar a trajetória de meteóros, não será preciso uma reforma econômica, política, educacional ou tributária. Não será preciso um apelo universal para que todos se convertam à fé.
Para se evitar o fim do mundo, ora em curso, será necessário apenas uma reconfiguração urbanística dos grandes centros populacionais. Basta que se fechem as praças. Some-se a isso umas outras pequenas medidas cautelares: 
a) disseminar a ideia de que o Irã é uma ameça à paz mundial; 
b) comprar o discurso do Ronaldinho, segundo o qual a Copa do Mundo de Futebol de 2014, não é da FIFA e muito menos da CBF, pois ela pertence ao POVO BRASILEIRO. [Eis aí o sentimento de soberania da nação. Custa-me, no entanto, entender como verbas públicas vão sustentar uma festa privada];
c) propagar a crença infundada de que o FMI e o Banco Mundial tem a fórmula para a crise dos países de economia central;
d) acrescente-se a estas, outras medidas no campo do entretenimento ilusionista das ficções cinematográfica e televisiva.
Qual mundo irá acabar em 2012, cujo declíneo já está em curso? O mundo daqueles que vivem, hoje, sob a emergência de uma redução nas taxas de acúmulo de capital ou será o mundo daqueles que já não suportam mais os arrochos às políticas sociais e trabalhistas?  Para que estes dois mundos não se acabem, acabe-se, antes, com as praças, sejam elas públicas ou virtuais.
Em breve veremos o fim do mundo, resta saber se estaremos nas praças.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Filosofia do ser

O ser e suas "manifestações ocultas" em:
- dias felizes de náuseas: ser-veja;
- dias de amor: ser-verina;
- dias de missa: ser-mão;
- dias de atentado ao pudor: ser-vergonha;
- dias apocalípticos: ser-afim;
- dias de aborrecimento: ser-viço;
- dias de compras no shopping: ser-vidão consentida e voluntária.